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O chamado Vocacional: buscando compreender

O chamado Vocacional: buscando compreender

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Paz e Bem, caro leitor (a), desejo que onde estiver se encontre bem, na santa Paz do Senhor. Com alegria retornamos a escrever para esta nossa revista O Cavaleiro da Imaculada, antes com a coluna da Missão, agora com a realidade vocacional. Uma das grandes necessidades dos nossos tempos é a de gerar em nós e em nossas comunidades Cultura Vocacional. O tema da vocação precisa brotar no coração de cada um de nós e no interior de nossas comunidades. Falar a respeito do tema vocacional é buscar se inteirar dessa realidade de forma simples e clara. Neste nosso primeiro artigo desejamos dar uma breve fundamentação dessa temática, a qual juntos faremos colheita ao longo deste ano do Senhor.

Para nós que somos cristão católicos, toda fundamentação teórica parte do tripé da compreensão de nossa fé: Sagradas Escrituras, Tradição e Magistério; se não dos três elementos ao menos de um deles. Aqui neste momento nos deteremos, mesmo que superficialmente no primeiro. Na Compreensão bíblica a realidade vocacional parte do verbo grego Kaleo (καλέω). Encontramos, de forma especial, muitas menções a esse termo no Segundo Testamento, mas também aparece em parte do Primeiro Testamento.

Kaleo pode significar chamar, ou convocar, ou convidar. Na realidade bíblica está intimamente ligado ao chamado feito por Deus a alguém para determinada missão ou mudança radical. Na compreensão grega, esse kaleo, traz à tona que a autoridade de quem chama determina a natureza da convocação, (ex: um amigo convida; um chefe convoca; Deus, vocaciona). Deus nos chama à vida, à existência, eis nosso primeiro e fundamental chamado.

Deus disse: “Façamos o homem à nossa imagem, como nossa semelhança, e que eles dominem sobre os peixes do mar, as aves do céu, os animais domésticos, todas as feras e todos os répteis que rastejam sobre a terra”. Deus criou o homem à sua imagem, à imagem de Deus ele o criou, homem e mulher ele os criou. Deus os abençoou e lhes disse: “Sede fecundos, multiplicai-vos, enchei a terra e submetei-a; dominai sobre os peixes do mar, as aves do céu e todos os animais que rastejam sobre a terra.” Deus disse: “Eu vos dou todas as ervas que dão semente, que estão sobre toda a superfície da terra, e todas as árvores que dão frutos que dão semente: isso será vosso alimento. A todas as feras, a todas as aves do céu, a tudo o que rasteja sobre a terra e que é animado de vida, eu dou como alimento toda a verdura das plantas” e assim se fez. Deus viu tudo o que tinha feito: e era muito bom. (Gn 1, 26-31).

Antes de nós, seres humanos, cada coisa existente foi chamada a existir pelo fiat de Deus. Somos todos e tudo fruto do chamado de Deus. Cada coisa tem sonância vocacional. Nada do que é se fez, no entanto, foi chamado a ser e existir a partir do eco criador de Deus que com infinita bondade e misericórdia nos realizou no tempo e mesmo na eternidade. Mas de forma especial, nós, seres humanos, somos fruto de uma concreção vocacional. Deus não nos chama exclusivamente a ser e existir, o que já seria de tamanha grandeza. Somos vocacionados ao cuidado, ao empenho do sair de si em direção ao outro, em especialmente a um Outro. Um Tu, o qual é o próprio Deus.

Olhando outro ponto do nosso tripé da fé (Escritura, Tradição e Magistério), o Magistério trata a respeito da realidade vocacional em diversos documentos, do Catecismo da Igreja Católica (o qual ressalta a aspiração de Deus inscrita no íntimo humano) até documentos do concílio Vaticano II como a Optatam totius (sobre a formação sacerdotal) e a Apostolicam actuositatem (sobre o apostolado dos leigos); e mesmo depois com documentos de alguns papas e mais recentemente do papa Francisco. É, sem sombra de dúvidas, um apelo à insistente recordação do chamado pessoal e intransferível feito por Deus a cada pessoal humana a buscar viver em plenitude a sua existência, a encontrar e construir felicidade por meio do empenho de tornar realidade a cada dia o chamado a amar e pertencer a Deus, os quais são na verdade o fundamento de todo chamado de Deus.

E como disse Santa Teresinha de si mesma: “minha vocação é o amor”. Acredito que seja o eco da voz de Deus para cada um de nós, o nosso chamado a vida, a existência é justamente para termos condições de amar. Em última instância amar e servir ao Senhor. Um amor que implica viver e existir não centrado em si mesmo. Daí podermos entender aquela frase supracitada: “o chamado traz à tona que a autoridade de quem chama determina a natureza da convocação”. E como João diz que Deus é amor (1 João 4:8), não poderia ser outra a finalidade de cada chamado vocacional em sua origem primeira, o que pode nos levar a vários desdobramentos. Mas todos ligados a origem que é o Amor.

Que nosso itinerário vocaciona nos desperte cada vez mais a necessidade de aprendermos a amar. A redescobrir no chamado de Deus o nosso caminho nesse mundo para nos dirigirmos ao mundo futuro, a concreção mais perfeita do projeto de Deus para cada um de nós. Até o próximo mês.


Frei Antonio Maria, OFMConv.

Informações da Notícia

Data de Publicação

Terça-feira, 7 de abril de 2026

16:35

Autor

Anderson Queiroz

Tempo de Leitura

5 minutos

Categoria

Artigos

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